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Crianças nadando na piscina no Cenro Aquático LMC alfabeto em Braille
Ano 3 - N°04 - Setembro de 2008 Informativo Semestral do Lar das Moças Cegas

PROFESSOR DE INFORMÁTICA DO LMC RECEBE O PRIMEIRO CÃO-GUIA DA BAIXADA SANTISTA

Aos 45 anos, Sílvio Roberto Gonzaga de Souza é o primeiro deficiente visual da Baixada Santista a contar com um animal para se locomover sem o uso da bengala. Da raça labrador, Jerri, chegou a Santos em 28 de maio, sendo o primeiro cão-guia da região.
Atuando há 8 anos como professor de Informática no LMC, Sílvio conta que o processo para a obtenção do animal levou cerca de dois anos. Jerri foi recebido através da organização INTEGRA (Instituto de Integração Social e Promoção da Cidadania), através do Projeto Cão-Guia de Cego, do Distrito Federal.
O professor, que perdeu a visão após um acidente, há 14 anos, passou duas semanas em treinamento com seu fiel parceiro. "Jerri passou a ser o mais novo integrante da família e ficará comigo durante 10 anos quando, então, deverá se aposentar, ficando outro cão-guia em seu lugar", lamenta Souza.
Conforme Fábio Dias, treinador-voluntário do INTEGRA e membro do Corpo de Bombeiros de Brasília, responsável pelo treinamento de Sílvio com Jerri, o deficiente visual recebe apoio psicológico Lei assegura permanência de cão-guia em transporte coletivo

e é avaliado em tempo integral durante as semanas da preparação. "Não é fácil passar por essa experiência. Da mesma forma que o deficiente visual necessita do animal, o cão também precisa de comandos, além de atenção, respeito e carinho", revela Dias.

Obstáculo
A dificuldade financeira é o maior obstáculo para se ter um cão-guia. Com a ajuda de empresários, Sílvio conseguiu viabilizar a posse do animal por R$7.400,00 arcando, ainda, com as despesas de viagens a Brasília. Depois que Jerri se aposentar o professor terá direito a um outro cão-guia, mas somente mediante o pagamento total de R$ 15 mil.
A escolha do animal

Os animais do projeto são originários do Programa de Reprodução do Centro de Treinamento do INTEGRA, onde se procura selecionar um cão-guia com o temperamento ideal para a função. Uma boa seleção é de suma importância, pois ao completar um ano de idade o cão passa por uma rigorosa avaliação, onde será verificada sua aptidão para o serviço de guia de cego, sendo observadas características de medo, dominância e hiperatividade.
Caso o animal não possua o perfil ideal para o serviço, é treinado para ser "Cão de Assistência" - para cadeirantes - ou para ser "Cão de Terapia" - para levar conforto emocional a asilos, orfanatos e hospitais.
As raças caninas mais utilizadas são o Labrador Retriever e o Golden Retriever,

Silvio e Jerri encerram mais um dia de trabalho

destacam por apresentar um bom caráter e capacidade de se adaptarem às diversas situações. São fiéis, inteligentes e de natureza amigável mas, principalmente, são dóceis, sem qualquer traço de agressividade ou timidez.

Parceria

Em parceria com o Instituto, o LMC tornou-se responsável por esclarecer à comunidade sobre a Lei Federal n.º 11.126/05, que assegura o direito do deficiente visual de ingressar e permanecer em ambientes de uso coletivo acompanhado de cão-guia. Para o LMC, é muito importante que todos aceitem conviver com o animal em meios de transporte, comércio, universidades e outros estabelecimentos. A coleira de identificação e a carteira de identidade do animal darão acesso ao cão a todos os estabelecimentos públicos.

FALA PRESIDENTE

Olá Amigos!

Sem o esforço de cada um, nada do que decidimos e desenvolvemos teria alguma finalidade. A reinauguração de nossa Biblioteca Braille, a primeira da Baixada Santista e nossa nova sala de Audiovisual vem aí e tudo isso só foi conquistado devido à verba parlamentar destinada ao Lar das Moças Cegas que recebemos através do deputado estadual, Paulo Alexandre Barbosa. Com a reforma do antigo espaço, poderemos oferecer um melhor serviço para deficientes visuais de toda a comunidade e não somente para os nossos alunos. Fica aqui o meu agradecimento a todos que acreditaram no projeto da nova Biblioteca e confiaram no trabalho de nossa entidade. Continuarei contando com vocês. Muito obrigado!

Carlos Antonio Gomes (Calucho) - presidente licenciado.

*redação realizada em 17 de março de 2008

Espaço Saúde

Devaneide Silva*

Estimulação Visual

Procedimento Interdisciplinar Utilizado pela Terapia Ocupacional
Colaborador O fato do sistema visual, por algum motivo, não se desenvolver adequadamente ou sofrer alterações no decorrer de seu desenvolvimento pode levar a criança a ter dificuldades para perceber de maneira rápida e completa pessoas e atividades no ambiente.
Quando uma criança, devido a alguma alteração, não atinge o desenvolvimento da eficiência visual de forma natural e espontânea, faz-se necessária uma intervenção onde se utilize a estimulação visual. Segundo Manoel Martin e Salvador Bueno, coordenadores do livro "Deficiência Visual" - Aspectos Psicoevolutivos e Educativos, uma adequada estimulação visual, a experiência prévia, a motivação para ver e o cultivo da atenção farão com que as capacidades visuais inatas se manifestem e se aperfeiçoem.
Para se obter benefícios, a estimulação visual deve ser conduzida de maneira que desperte o interesse na criança em ver. É necessário que ela queira ver, e isto só acontecerá se os objetos que a rodeiam forem interessantes de serem vistos. Para as terapeutas ocupacionais, Heloísa Gagliardo e Maria Inês Nobre, o terapeuta ocupacional utiliza estratégias que facilitam o aprendizado de habilidades, fortalecem a eficiência das funções essenciais para a adaptação ao meio e promovem e mantêm o crescimento, o desenvolvimento e a saúde.
A intervenção da terapia ocupacional se dá de forma lúdica, possibilitando à criança experiências que possam contribuir com seu desenvolvimento visual, permitindo-lhe utilizar seu resíduo visual de maneira funcional no seu cotidiano.

*Devaneide Silva é terapeuta ocupacional e coordenadora do Serviço de Intervenção Precoce do LMC.

Obrigação Eleitoral é para todos

Segundo estimativas, existem 850 mil cegos no Brasil, o que corresponde a 5% da população. A participação desse eleitorado é muito importante, tendo em vista que a preocupação com a acessibilidade e a inclusão está cada vez maior no Brasil.
Sendo o deficiente visual um cidadão brasileiro nato, com idade entre 18 e 70 anos, tem direito e dever de votar como todos. Nas seções onde previamente a Justiça Eleitoral foi informada de que há eleitor com deficiência visual, haverá fone de ouvido para que ele possa ouvir o que está sendo digitado. A urna conta com identificação numérica em Braille em cada uma das teclas para facilitar a votação. É emitido também um rápido sinal sonoro após a digitação de cada tecla e um longo sinal ao final da votação.


Voto Informatizado

A urna eletrônica no Brasil, foi implantada em 1996 (eleições municipais). No ano 2000, as eleições foram informatizadas em 100% do território nacional pela primeira vez no Brasil. A urna eletrônica é um produto totalmente brasileiro, único no mundo, criado sob a orientação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
O voto informatizado trouxe muitas vantagens para o eleitor. O processo de votação é mais simples e mais rápido. A margem de erro cai em relação à votação manual. Além disso, os resultados são divulgados com muito mais rapidez e tem sido uma ferramenta efetiva para o combate às fraudes.




Na hora de Votar

É recomendável que o eleitor porte documento oficial de identificação, com foto. Vale lembrar que a pessoa com necessidades especiais pode pedir ajuda na hora de votar. Se o presidente da mesa verificar que o deficiente necessita do auxílio de uma pessoa de sua confiança para votar, a mesma estará autorizada a acompanhá-lo.
O eleitor poderá permanecer na cabine de votação o tempo necessário e apenas sair da cabine após o surgimento da palavra "FIM" na tela da urna, que é a confirmação do encerramento de votação. O deficiente visual tem prioridade na hora de votar, não sendo necessário aguardar.

ENTREVIST@.COM

Carlos Farrenberg
EM BUSCA DA VITÓRIA
Garra e esperança levam atleta brasileiro aos Jogos Paraolímpicos
Deficiente Visual, 28 anos, o nadador Carlos Farrenberg, o "Carlão do Brasil", como vem sendo chamado, é uma grande esperança da natação paraolímpica brasileira. Com 20 anos de carreira, possui vários títulos, entre eles o de vice campeão mundial de 2006 em Durban, na África do Sul, o de vice campeão e 3º lugar em 2007, nos Jogos Mundiais da IBSA (International Blind Sports Federation), em São Caetano do Sul, além de quatro medalhas de ouro e uma de prata nos Jogos Para Pan Americanos do Rio de Janeiro, também em 2007. Para esse paulistano que adotou a cidade de Santos, a obtenção da vaga olímpica foi um sonho realizado.



LMC: Quem são seus ídolos na natação? Em quem você se espelha atualmente?
Carlão: Gustavo Borges e hoje, tecnicamente, Michael Phelps.

LMC: Como foi a sua participação nos Jogos Para Pan - Americanos 2007?
Carlão: Foi fantástico também pela torcida que estava presente, vibrando a cada conquista do Brasil.

LMC: Como foi a conquista do índice para as Paraolimpíadas?
Carlão: Emocionante. Para Atenas, em 2004, eu fiquei muito perto da vaga, o índice de agora tem um gosto especial.

LMC: Qual o momento de maior superação em sua carreira?
Carlão: A conquista de quatro medalhas de bronze e uma de prata no último Mundial de Natação para Cegos e Deficientes Visuais da IBSA,menos de um mês depois de ter tido dengue.

LMC: Por que o esporte é considerado extremamente importante para a inclusão social do deficiente?
Carlão: Porque aumenta seu ciclo de amizades e aproxima as pessoas com deficiência daquelas que não têm ninguém nessa condição em casa.

LMC: Você pratica algum outro esporte?
Carlão: Sim. Surf e mergulho.

LMC: Como você encara o esporte adaptado em nosso país?
Carlão: Nós (atletas paraolímpicos) ainda temos muito a evoluir, assim como o esporte olímpico, mas estamos no caminho certo e, mundialmente falando, estamos melhor do que os atletas olímpicos.

LMC: Você acredita que o esporte adaptado deveria ter uma maior divulgação? Qual seria a melhor forma?
Carlão: Com certeza. A melhor forma seria dar oportunidades para as crianças, portadoras de deficiência ou não, de vivenciar o maior número de atividades esportivas e culturais e possibilitar que elas se desenvolvam.

LMC: Qual o futuro da natação paraolímpica no Brasil?
Carlão: É preciso evoluir muito. Estão surgindo muitos bons atletas, mas poderiam ser bem mais.

LMC:Quem são seus patrocinadores? É importante citar aqueles que patrocinam esportes para deficientes.
Carlão: Unisanta, FUPES, Bartha Engenharia e Vitshop. Minha equipe é a ADFISA.

LMC: Você que encontrou o seu lugar no esporte, que mensagem deixaria para outros deficientes visuais?
Carlão: Tente fazer tudo o que tiver vontade com segurança e não desista dos seus sonhos, acredite.

O QUE É TERCEIRO SETOR?

É assim denominado o grupo de entidades da sociedade civil (ONG) que utiliza de recursos privados e públicos para atuar em prol do desenvolvimento social.

VEM AÍ!

22/08 Dia do Folclore
07/09 Desfile de 7 Setembro
20/09 VI Jantar Dançante
22 e 23/09 Encontro de Hig. e Saúde
06 a 9/10 Semana da Criança
14/10 Homenagem ao Professor
08/11 Almoço Beneficente LMC
13/11 Dia Mundial do Diabetes
01 a 04/12 Bazar de Natal
05/12 Dia do Voluntário
10/12 Festa de Enc. das crianças
11/12 Encerramento do Ano Letivo
12/12 Confraternização dos alunos
19/12 Festa dos Colaboradores

Recorde Histórico
Termina fila de espera para transplante de córnea em São Paulo

Pela primeira vez na história, a população não irá mais enfrentar fila de espera para transplante de córnea na Grande São Paulo e no litoral do Estado. De acordo com a Central de Transplantes da Secretaria de Saúde do Estado, as cirurgias já têm data e hora marcadas.
A região metropolitana e litoral de São Paulo, são, atualmente, responsáveis por 50% das córneas obtidas em todo o Estado. O índice inédito é creditado ao aprimoramento do trabalho de captação de potenciais doadores nos hospitais paulistas.
Em agosto, o tempo médio de espera foi de 1,6 mês, e 54,7% realizaram a cirurgia em menos de 30 dias da data da inscrição na lista da secretaria. Em agosto de 2002, o tempo para transplante de córnea na capital ultrapassava dois anos.
Levantamento
De janeiro a agosto, foram feitas 1.490 cirurgias de córneas na capital, na Grande São Paulo e no litoral, 79% a mais do que as 832 registradas no mesmo período do ano passado. O número de transplantes este ano chega a 4.048 em todo o Estado, contra 3.185 de janeiro a agosto de 2007. Se o ritmo for mantido, São Paulo deverá chegar ao final do ano com recorde histórico em transplantes de córneas.
O aumento da captação do número de córneas começou em 2005 graças à parceria firmada entre a Secretaria de Estado da Saúde e o Banco de Olhos de Sorocaba, considerado o mais capacitado do País. "O crescimento da captação e dos transplantes de córnea é uma tendência em todo o Estado de São Paulo. Na capital, a espera terminou antes, mas com o reforço da captação e sensibilização da sociedade para a doação, essa situação também deverá ocorrer em breve nas regionais do interior", prevê o coordenador da Central de Transplantes, Luiz Augusto Pereira.

Expediente

Visão é uma publicação do LMC - Lar das Moças Cegas
(Centro de Educação e Reabilitação para Deficientes Visuais)
Jornalista Responsável: Adriana Nogueira MTB: 26.364 - Assessora de Imprensa
Planejamento Gráfico e Arte: Juliana Costa Krewer - Designer Gráfica
Edição, Redação e Fotografia: Adriana Nogueira. Revisão: Rosária Parada
Periodicidade: Semestral. Impressão: Gráfica Santista. Tiragem: 2.000 exemplares.
Tel: 13 3226-2760 ramal 2782 Contato - redação: imprensa@lmc.org.br
LMC: Av. Ana Costa, 198, Vila Mathias - Santos/SP CEP:11060-000
Supervisão de Relações Institucionais: Ana Lícia Gotardi
Presidente: Carlos Antonio Gomes (Licenciado)
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